31/07/2026 · blog do eovovo
Como fazer uma árvore genealógica da família: o passo a passo completo
— Quem foi o teu avô?
Um dia me fizeram essa pergunta. Eu tinha uns 15 anos — e não soube responder. Talvez você esteja hoje no mesmo ponto em que eu estava: sem saber de quase nada e sem ideia de por onde começar. A diferença é que, de lá para cá, passei 25 anos puxando esse fio — certidão por certidão, cartório por cartório — e foi essa jornada que me fez criar este site. Aliás, agora você entende o nome: "E o vovô?". Era a pergunta que eu não sabia responder. Seja bem-vindo, e boa sorte na sua.
Antes de começar, um combinado honesto: pesquisar a história da sua família leva tempo. Não se faz em 30 minutos. Mas se você anda gastando horas nas redes sociais com a vida dos outros, recomendo fortemente trocar uma parte delas por esta jornada — ela vai te ajudar a se conhecer melhor e a entender por que você está onde está hoje.
Passo 1 — Tudo começa por você (engenharia reversa)
A primeira coisa é com você. Montar uma árvore genealógica é fazer uma engenharia reversa da sua própria história: você parte do que tem certeza — você mesmo — e vai subindo, uma geração por vez.
E o começo é mais fácil do que parece: pegue a sua certidão de nascimento. Nela estão o nome completo dos seus pais e, na maioria dos registros, também o dos seus quatro avós — maternos e paternos. Só com esse papel você já tem três gerações mapeadas.
Passo 2 — Monte a primeira folha
Anote o que a certidão te deu: uma pessoa por vez, com nome, data e cidade de nascimento. Pode ser num caderno, numa planilha — ou aqui no eovovo, onde cada pessoa vira uma folha na árvore e o desenho se organiza sozinho conforme você sobe. O importante neste passo é um princípio que vale para a jornada inteira:
Uma folha por pessoa, uma geração por vez. Ninguém monta cem anos de história num fim de semana — e não precisa.
Passo 3 — Os documentos dos seus pais
Agora suba um degrau: você vai atrás da certidão de nascimento dos seus pais. Aqui vai o mapa do caminho:
- Se eles forem vivos, comece perguntando — muita gente guarda a própria certidão ou a de casamento em casa. A certidão de casamento também serve: ela traz os nomes dos pais dos noivos (os seus avós).
- Não achou papel nenhum? Peça uma foto do RG antigo deles. No RG constam os dados do registro de nascimento: o cartório, o livro e a folha. Com isso em mãos, fica fácil pedir a segunda via.
- Com os dados do cartório, entre no Registro Civil (o portal oficial dos cartórios do Brasil), confira o valor certinho e solicite a certidão pela internet — ela chega em PDF ou pelo correio, sem você sair de casa.
Passo 4 — Suba geração por geração (e conheça o "inteiro teor")
Com a certidão dos seus pais, você descobre os avós. Com a dos avós, os bisavós. É assim que se sobe: cada certidão é um degrau que revela o degrau de cima.
E aqui vai uma dica que vale ouro lá na frente: quando a família vem de longe — imigrantes, registros muito antigos, nomes que "mudaram" com o tempo — peça a certidão em inteiro teor. É a versão completa, transcrita do livro original do cartório, com tudo o que o escrivão anotou: pais dos noivos, testemunhas, profissões, cidades de origem. A certidão comum resume; o inteiro teor conta a história. Sobrenome de imigrante, aliás, quase nunca atravessou o século intacto: o escrivão escrevia o que ouvia, e o nome que saiu da Itália, de Portugal ou da Espanha pode ter virado outro no papel brasileiro. O inteiro teor é o documento que deixa você provar que é a mesma pessoa.
Passo 5 — Pergunte enquanto ainda dá tempo
Documento nenhum substitui uma tarde de conversa. Os mais velhos da família carregam o que não está em cartório nenhum: os apelidos, a viagem, a cidade "onde todo mundo nasceu", a história que explica por que o seu bisavô cruzou o oceano. Pergunte por nomes completos, cidades, datas aproximadas ("foi antes ou depois da guerra?"), e anote tudo — até o que parecer conversa fiada. Muitas vezes é a "conversa fiada" que destrava uma busca anos depois.
Cada ano que passa leva um pedaço dessa memória junto. Se há um passo deste guia para fazer hoje, é este.
Passo 6 — FamilySearch: o aliado gratuito
Vai chegar uma hora em que as certidões da família acabam e você precisa de arquivos históricos. É aí que o FamilySearch vira o seu grande aliado. É gratuito, e é impressionante a quantidade de documentos digitalizados que eles têm: livros de batismo e casamento de paróquias, listas de desembarque de imigrantes, registros civis antigos do Brasil inteiro.
Aviso de amigo: aqui se gasta bastante tempo — e é dos bem gastos. Duas dicas para render mais: busque o sobrenome com variações de grafia (o "mesmo" nome pode aparecer escrito de três jeitos diferentes), e quando achar um documento, salve a imagem na hora e anote onde encontrou.
Passo 7 — Separe o que é certeza do que é história de família
Nem tudo o que a família conta bate com o que o cartório registrou — e tudo bem. O erro é misturar as duas coisas. Na sua árvore, marque o que você viu em documento como documentado, e o que ainda é "dizem que..." como hipótese. Quando a certidão aparecer, você promove. No eovovo cada folha carrega essa marca de confiança, e a lateral da árvore mostra, geração por geração, o que já está provado.
Passo 8 — Guarde tudo num lugar só
No fim de alguns meses você vai ter: certidões em PDF, fotos de documentos no WhatsApp, prints do FamilySearch, áudios da sua avó. Se isso ficar espalhado em pastas soltas no computador, metade se perde. Guarde cada documento junto da pessoa a quem ele pertence — é assim que a pesquisa de hoje vira herança, e não bagunça digital.
É para isso que o eovovo existe: cada folha guarda o retrato e as certidões da pessoa, a árvore vira um quadro para pendurar na parede, as cidades viram pinos num mapa da jornada da família, e a cronologia inteira sai num caderno de família para imprimir — com direito a lembranças escritas por você no meio dos nascimentos, casamentos e despedidas.
A resposta que eu não tinha aos 15 anos
Hoje, se me perguntam "quem foi o teu avô?", eu respondo com nome completo, cidade, data — e mais umas boas histórias. A distância entre não saber e saber foi feita de passos como os deste guia, dados um de cada vez.
A sua vez: pegue a sua certidão de nascimento, anote os nomes que ela guarda, e plante a primeira folha da sua árvore. Daqui a alguns anos, quando alguém da próxima geração fizer a pergunta, a resposta vai estar pronta — esperando por ela.